Chamar Vasco da Gama de “heróico” é desconhecer a história de um dos mais endiabrados portugueses entre tantos que singraram os mares para roubar, piratear e matar – nas américas, nas áfricas e nas índias. O Vasco que merece referência é o Carioca, Campeão Brasileiro, primeiro clube no Brasil a aceitar negros, mulatos e brancos pobres na sua equipe.
A história do Vasco como clube de futebol muito nos motiva. E merece referências. Como bem o afirma Xico Sá, “o Vasco foi o primeiro clube a aceitar negros, mulatos e brancos pobres na sua equipe, quando o esporte ainda era exclusividade dos barões”. Isto é significativo demais porque o futebol é cheio de preconceito, além de todos outros problemas que são manchetes quase diariamente.
O articulista da Folha de S. Paulo, no entanto, comete uma canelada quando compara a heróica conquista da Copa do Brasil pelo Vasco Carioca com o Vasco da Gama, afirmando que este era um “heróico” português. Heroico vem de herói. E herói para as crianças pelo menos signfica além de valente, destemido, também íntegro, honesto, comprometido com o próximo. Estes valores, infelizmente, Vasco da Gama não tinha.
Chamar Vasco da Gama de “heróico” é desconhecer a história de um dos mais endiabrados portugueses entre tantos que singraram os mares para roubar, piratear e matar, nas américas, nas áfricas e nas índias. Vasco da Gama era um deles. A mais tênue briografia deste navegante é de estarrecer. Só para ilustrar uma folha corrida de inúmeros bandidistmo: Vasco da Gama mandou incendiar um navio oriental cheio de velhos e crianças… Mais: se tivessem vivos, comerciantes das Índias certamente teriam causas judiciais com Portugal, reivindicando pagamento de especiarias roubadas por Vasco da Gama.
Este Vasco não merece nenhuma referência. Aqui na Bahia, em Salvador, tem uma faculdade com seu nome. Certamente, o patrão desconhece a história… ou a ignora… Mas como também temos escolas com o nome de Emílio Garrastazu Médice e estes carimbos sobreviveram a chamada “democracia” talvez não seja só um caso de ignorância, mas também de identidade…
Mas o Vasco clube de futebol do Rio de Janeiro merece, sim, todo nosso aplauso. Por diversas razões: uma delas é ser dirigido por Roberto Dinamite, um ex-atleta e ídolo, tranquilo, e honesto. Roberto Dinamite conseguiu derrubar um ex-diretor que muito contribuia para a deseducação no futebol brasileiro (Eurico Miranda, sim, pode ser comparada ao Vasco lusitano). Dinamite penou com a herança “lusitana” que encontrou. E só agora começa a conquistar títulos, depois de dinamitar a corrupção naquele clube.
Outra razão a comemorar é sua conquista de Campeão da Copa do Brasil. Esta conquista seria natural se não tivesse ocorrido há menos de três meses de total desmoralização no primeiro turno do campeonato Carioca, quando o Vasco sequer se classificou entre os quatro melhor colocados. Heróico foram os seus atletas que se superaram pela auto-organização e organização coletiva e levantaram a taça de campeões do Brasil, enfrentando o Coritiba, no Paraná, que também saiu de baixo – da segunda divisão – e agora almeja ficar entre os grandes do Brasil.
Como os significados mudam o significante, que o Vasco campeão se torne outra referência para seus jovens e abnegados torcedores, sem comparações com o navegante português que as escolas alienadas e alienantes do Brasil afirmam ter “descoberto” o caminho marítimo para as Índias… Comparar o Vasco Carioca com o Vasco da Gama é uma deseducação no futebol. Já nos basta a deseducação da escola.