Medina e Newmar: heróis de dois mundos?

O jovem atleta Medina, de apenas 22 anos, herói da classificação do Guarani,contra a Ponte Preta, ganha apenas R$ 5 mil por mês. O hiper-herói do Santos, Newmar, não dá nem para fazer a contabilidade dos seus milhões…Medina mora no alojamento do clube; Newmar em palácios pós-moderno.
Os que se apressam em mostrar estes paradoxos, no entanto, logo tem que mudar de pauta. Se Medina fizer pelo menos uma boa partida, seu passe vai subir também para as estrelas. Não com na constelação de Newmar, semideus do futebol brasileiro, mas em outras bolsas de dólares europeu, asiática e, mesmo, nacional.

Os garotos se revelam. Brilham em segundos. E também somem em segundos. Raras exceções. Tanto Newmar quanto Medina são heróis do mundo fugaz, passageiro, líquido.

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Arte e provocação (de Newmar)

O encanto da vida são os pequenos momentos de corrosão das “normalidades”

A arte sempre se revela como uma forma de provocação. Contê-la é “arte” dos conservadores, admirá-las, dos amigos dos deuses. Diz-se que “Neymar tira rivais do sério e dos jogos”… Com razão. Como touros numa tourada seus adversários não suportam dribles desconsertantes, sua jinga e eletricidade… E partem, furiosos, para tentar acertá-lo, como o touro ao toureiro.

A “ética” do futebol sob-metro – engessada no formalismo – não comporta as provocações de Newmar. Em nome do “respeito” ao adversário, limita-se a obra de arte do artista. E o futebol fica esta coisa quase previsível, (em)quadrada em esquemas táticos para vender coca cola, cerveja, wiski, ideologia… ” Os burocratas – e até treinadores – querem que Newmar drible “sem desrespeitar o adversário”…

Como isto pode ser possível, senão através de uma arte burocrática? O encanto da vida são os pequenos momentos de corrosão das normalidades.

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Pequenos grandes detalhes

Como fica o rosto de um treinador, quando seu time é desclassificado para uma final nos últimos minutos do jogo – como ocorreu ontem entre Bahia x Vitória da Conquista?Todos os músculos se contraem. O sentimento de perda nos faz buscar demônios. Os poros se fecham. A inteligência cega surda muda.

Mas isto não foi o que ocorreu com o humilde treinador do Vitória da Conquista, Elias Borges, que, aos 43 minutos do segundo tempo, viu seu time perdeu a chance inédita de decidir o baiano com o outro Vitória… Heroicamente, seus atletas resistiram até os últimos instantes e cumpriram à risca seu esquema tático que quase pôs a nocaute o esquema do glamoroso Paulo Roberto Falcão.

Ainda tenso, Elias Borges, no entanto, sorriu quando foi abraçado olimpicamente por Falcão, no meio do campo, no momento em que seus atletas arrasados também cumprimentavam seus adversários. Treinador insensível? Muito pelo contrário!

Elias Borges foi sujeito e objeto das pequenas-grandes sutilizas humanas. Ao receber o abraço afetuoso do seu adversário ele liberou a carga pesada da adrenalina. E se sentiu recompensado por está ali ao lado de um dos maiores atletas do futebol brasileiro de todos os tempos. Então a derrota, momentânea, perdeu o fôlego da decepção.

Não é fácil sorrir após uma perda irrecuperável. A menos que um sentimento, uma ação nos projete para um “mundo dos deuses”, um Olimpo que só a imaginação o faz perfeito. E aqui fica o registro em busca de outra singeleza: pequenas ações, produzem grandes acontecimentos.

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Ilusões com a copa

As ilusões não tem fim monitoradas pelo espetáculo da Copa do Mundo. Falar do futebol é óbvio. Mas não de outras motivações não tão evidentes – como a poluição, depredação da natureza, mercado imobiliário produzidos pela copa.
Não que tais ocorra “fora da Lei”, posto que a maioria das injustiças e falcatruas são produzidas dentro da Lei. Os construtores civis produzem dentro da lei. Os vendedores vendem apartementos “valorizados pela copa” dentro da lei. Rouba-se dentro da lei, uma vez que os contratos são assinados, carimbados, aprovados e inspecionados dentro da Lei.
Tudo pode ser valorizado em Salvador devido a Copa. Após a Copa, certamente o Estádio da Fonte Nova vai servir também para escolas, esporte amador etc. Seria menos doloroso se nossas ilusões ficassem restrita ao pensar que o atual treinador da seleção não será um dunga-2.

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Educação: qual?

O colega Eudaldo Filho – doutorando em Difusão do Conhecimento – me manda este texto que compartilho com nossos ilustres leitores.

A educação que além de tudo detém um peso deveras representativo na solidificação das economias, aqui, pelas nossas paragens, é tratado com uma singularidade a toda prova, prostituindo umas das mais belas atividades humanas, geradoras de umas das mais admiráveis facetas do seres, que é a detenção, investigação e dispersão do conhecimento.
O estabelecimento da dialética, a discussão profícua, a contenda embasada é uma frondosa árvore, que nos presenteia com frutos saborosos e infindáveis, em tempos de abordagens sustentáveis e exploração de fontes infinitas de energia, é simplesmente um achado divino. Dentre os espetáculos naturais indescritíveis na sua plástica, essência e conteúdo, o saber deslindado com bom senso e clareza é uma das maravilhas naturais.
E o que nas “Bandas Brasilis” seção axé, tem acontecido com tão valioso tesouro da existência? A tristeza, o estarrecimento e o desestímulo. Nós envolvidos com a educação superior, apenas um departamento no terceiro pavimento da nau à deriva, contatamos que as duas esferas envolvidas, a pública e a privada, padecem de males diferentes, mas de gravidade semelhante e que igualmente desfiguram o verdadeiro sentido das instituições de ensino superior.

Somos espectadores de instituições “dinossauricas” no caminhar corpulento e jurássicas no pensar nublado, gerando quadros especialíssimos na produção de saberes de arquivo. Eudaldo Filho.

Se de um lado nas públicas, somos espectadores de instituições “dinossauricas” no caminhar corpulento e jurássicas no pensar nublado, gerando quadros especialíssimos na produção de saberes de arquivo, que se aninham confortavelmente na mais recôndita e obscura prateleira das escolas de origem. Construções acadêmicas tais que revelam ou muitas vezes apenas indicam, metodologicamente com perfeição, o gênero de um anjo apenas, para focar o estudo, seria leviandade o estudo de todos eles. Arquitetando por conseqüência matrizes e práticas disciplinares inacreditáveis regidas por um poder corporativo facilmente balizável de “escola nostra”.
Do lado oposto, mas não tão oposto assim, encontramos as instituições particulares que sempre de olho no melhor negócio, pasteuriza qualquer forma de pensar, encaixotando os seres envolvidos no processo, em embalagens com prazo de validade e capacidade máxima de armazenamento. Tornando de uma pobreza revoltante o prazer de se trabalhar com o saber humano, destruindo qualquer iniciativa por mais modesta que seja de tornar verossímil a relação educador, educando. Inviabilizando o processo, na busca do lucro, expressão válida na lógica de mercado, mas nunca à custa da desfiguração dos processos e de falácias e estelionato acadêmico.
Ainda existe o prazer na luta, nada de quixotesco, mas uma responsabilidade assumida. Penso até em rever posicionamentos e quem sabe constatar, que nesse turbilhão o antiquado e desinformado sou eu. Novas tecnologias, novos paradigmas e eu não acompanhei a virada, dormi no dia e não abri o e-mail e a educação já não era esse espetáculo todo e a tristeza e a melancolia sejam traços meus. Pode ser também o simples prazer do protesto e zanga. Quem sabe informação ganhou do conhecimento, e os tratados abissais não estejam ao meu alcance e eu to chupando dedo, com raivinha de professor “das antigas”.

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Inovação e criatividade [1]

Retranca tem a significação de um sistema fechado, opaco, sinônimo de repetição, medo e  imposição de um modelo pre[meditado], pre[definido]. Superar este ciclo de repetições implica rompimentos de relações culturais, criação de linhas de fugas e novas segmentações.

Todos falamos de inovação. E todos a desejamos, uma vez que a rotina nos tritura o corpo e até mesmo a alma. Como podemos inovar se o dia-a-dia nos aflige-impõe a repetir modelos, procedimentos, relações? As palavras do técnico Paulo Sérgio Carpegiani – após vitória de 3 a 1 sobre o Grêmio, neste inicio de Campeonato Brasileiro -, nos oferece caminhos para imaginar a inovação.
O treinador – que, no seu caso, é também um educador – afirmou que, agora, vai sair da retranca, um esquema forte de marcação com quatro volantes no meio de campo, para um esquema mais leve, mais veloz, mais envolvente, com entrada de meia-atacantes habilidosos, afim de oferecer mais fluidez entre defesa-meiodecampo-ataque contra seus adversários. Ou seja: esquema São Paulo igual Barcelona, da Espanha.
No futebol, r-e-t-r-a-n-c-a é como um sistema fechado, opaco, sinônimo de muitas coisas pesadas que se observam também na vida – entre as quais a repetição, o medo e a imposição de um modelo pre[meditado], pre[definido]. Retranca é a não-inovação, com exceções raras, raríssimas. A retranca (a não inovação) impõe aos atletas (trabalhadores) sistema engessado, dentro do qual mais importa a obediência que a criação.
No entanto, por que Carpegiani afirma que “agora” vai construir um novo desenho para seu sistema? Por que não o fez antes, uma vez que ele mesmo afirma gostar de “futebol rápido e bem jogado”? Ressalte-se de antemão que Carpegiani é um técnico sensível, culto, vitorioso no futebol como atleta de grande personalidade e equilíbrio, tendo obtido diversos títulos e direcionado grandes clubes do Brasil e até uma seleção da América Latina.
Em entrevista aos meios de comunicação, após a quarta vitória seguida do São Paulo no Campeonato Brasileiro, ele afirma que “o esquema mais defensivo que vinha sendo utilizado era uma necessidade momentânea, uma tentativa de criar um antídoto para a crise que se instalou no clube após as eliminações no Paulista e na Copa do Brasil”. Uma resposta deveras concreta para uma situação muito especial e difícil.
Sua avaliação nos serve também para observar sistemas que se repetem. O esquema engessado é um “antídoto” dentro do sistema para conter uma coisa que ameaça. Neste sentido, a inovação dentro dos grandes sistemas hegemônicos é circunstancial – a não ser que se mude toda uma cultura, como hoje parece ocorrer no Barcelona, que joga bonito e produz espetáculo, mesmo nas derrotas.
Portanto, qual o problema da inovação? Nos parece ser o mesmo da mudança. O que subjaz o pensamento sobre inovação é a concepção radical de mudança propugnada por Barbier, um autor francês que muito contribui com a educação com seus livros sobre pesquisa: “mudar é aquilo por meio do qual o reprimido sai de seu ciclo de repetições” . Qual seja, romper o ciclo de repetições implica rompimentos de relações culturais, criação de linhas de fugas e novas segmentações. Isto não ocorre de vez, mas por corrosões.

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Dois diferentes Vasco da Gama

Chamar Vasco da Gama de “heróico” é desconhecer a história de um dos mais endiabrados portugueses entre tantos que singraram os mares para roubar, piratear e matar – nas américas, nas áfricas e nas índias. O Vasco que merece referência é o Carioca, Campeão Brasileiro, primeiro clube no Brasil a aceitar negros, mulatos e brancos pobres na sua equipe.

A história do Vasco como clube de futebol muito nos motiva. E merece referências. Como bem o afirma Xico Sá, “o Vasco foi o primeiro clube a aceitar negros, mulatos e brancos pobres na sua equipe, quando o esporte ainda era exclusividade dos barões”. Isto é significativo demais porque o futebol é cheio de preconceito, além de todos outros problemas que são manchetes quase diariamente.

O articulista da Folha de S. Paulo, no entanto, comete uma canelada quando compara a heróica conquista da Copa do Brasil pelo Vasco Carioca com o Vasco da Gama, afirmando que este era um “heróico” português. Heroico vem de herói. E herói para as crianças pelo menos signfica além de valente, destemido, também íntegro, honesto, comprometido com o próximo. Estes valores, infelizmente, Vasco da Gama não tinha.

Chamar Vasco da Gama de “heróico” é desconhecer a história de um dos mais endiabrados portugueses entre tantos que singraram os mares para roubar, piratear e matar, nas américas, nas áfricas e nas índias. Vasco da Gama era um deles. A mais tênue briografia deste navegante é de estarrecer. Só para ilustrar uma folha corrida de inúmeros bandidistmo: Vasco da Gama mandou incendiar um navio oriental cheio de velhos e crianças… Mais: se tivessem vivos,  comerciantes das Índias certamente teriam causas judiciais com Portugal, reivindicando pagamento de especiarias roubadas por Vasco da Gama.

Este Vasco não merece nenhuma referência. Aqui na Bahia, em Salvador, tem uma faculdade com seu nome. Certamente, o patrão desconhece a história… ou a ignora…  Mas como também temos escolas com o nome de Emílio Garrastazu Médice e estes carimbos sobreviveram a chamada “democracia” talvez não seja só um caso de ignorância, mas também de identidade…

Mas o Vasco clube de futebol do Rio de Janeiro merece, sim, todo nosso aplauso. Por diversas razões: uma delas é ser dirigido por Roberto Dinamite, um ex-atleta e ídolo, tranquilo, e honesto. Roberto Dinamite conseguiu derrubar um ex-diretor que muito contribuia para a deseducação no futebol brasileiro (Eurico Miranda, sim, pode ser comparada ao Vasco lusitano). Dinamite penou com a herança “lusitana” que encontrou. E só agora começa a conquistar títulos, depois de dinamitar a corrupção naquele clube.

Outra razão a comemorar é sua conquista de Campeão da Copa do Brasil. Esta conquista seria natural se não tivesse ocorrido há menos de três meses de total desmoralização no primeiro turno do campeonato Carioca, quando o Vasco sequer se classificou entre os quatro melhor colocados. Heróico foram os seus atletas que se superaram pela auto-organização e organização coletiva e levantaram a taça de campeões do Brasil, enfrentando o Coritiba, no Paraná, que também saiu de baixo – da segunda divisão – e agora almeja ficar entre os grandes do Brasil.

Como os significados mudam o significante, que o Vasco campeão se torne outra referência para seus jovens e abnegados torcedores, sem comparações com o navegante português que as escolas alienadas e alienantes do Brasil afirmam ter “descoberto” o caminho marítimo para as Índias… Comparar o Vasco Carioca com o Vasco da Gama é uma deseducação no futebol. Já nos basta a deseducação da escola.

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Racismo e antijogo

O garoto Neymar foi vítima ontem de racismo no jogo jogo Brasil x Escócia e também foi vítima do antijogo que costumeiramente pratica, insinuando faltas, teatralizando os choques de corpo que ocorrem no futebol. A lembrança das insinuações de Neymar não é naturalmente para estabelecer que existe um paralelo entre ambos. Mas para lembrar sempre o poder das suas provocaçoes da teatralização, do jogo de cena.

Racismo tem paralelo com a soberba, o atraso e a cegueira científicas. Pois a ciência já demonstrou que não há uma raça “superior” como desejava Hitler. Mas não só ele. Observando os comentários no final do jogo, todos se esquivaram de denunciar o racismo. Todos revelaram medo de relacionar seus nomes com estas polêmicas. Então o que de fato ocorreu?

Ninguém vê, ninguém viu, foi algo que passou “despercebido”… É assim que as coisas perduram, quando as vítimas – e não vítimas – fingem que nada se passou consigo ou com o outro… O próprio Neymar não quis comentar, assim também o técnico da seleção, Mano Menezes e outros atletas [negros e não negros]. Ninguém quer entrar no debate. Os locutores também só perceberam “apupos”.

Riqueza do estádio inglês, riqueza das coberturas super-hiper tecnológicas. Pobreza de espírito. Pobreza de reação. Pobreza de caráter.

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Virus e outros grilos

Uma rede virótica atacou este blog e, combinado com outros problemas, o impossibilitou durante um bom tempo.
Neste ínterim, o Fluminense foi campeão brasileiro, assim como o Flamengo: ganharam não só pelos seus méritos, mas também porque seus “adversários” lhes concederam pontos preciosos nas rodadas finais do Campeonato Brasileiro.
Como todos lembram ainda, o Flamengo se sagrou campeão com três pontos que recebeu do Grêmio para prejudicar o Internacional, que também disputava aquele campeonato de 2009. E mais três do Corinthians, que assim prejudicou o São Paulo e Palmeiras.
Em 2010, ocorreu o mesmo: o Fluminense recebeu de mão beijada três pontos do Palmeiras, para prejudicar o Corinthinas. E também três pontos do São Paulo, também para prejudicar o Corinthians, que disputava o título.
Estes pontos ocorreram justamente no final do Campeonato. No momento decisivo.
O que demonstra que pontos corridos – uma imitação dos campeonatos europeus – não é assim tão perfeito, tão democrático como matematicamente aparenta.

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Talento

Cada vez mais equilibrado e cada vez mais sintonizado com seu clube, o jovem Neymar continua dando show e levando o Santos ao paraíso nesta reta final do campeonato brasileiro.
Chegará entre os primeiros?

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